{"id":3531,"date":"2020-11-11T18:22:42","date_gmt":"2020-11-11T18:22:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ubla.net\/?p=3531"},"modified":"2020-11-11T22:17:02","modified_gmt":"2020-11-11T22:17:02","slug":"iglesia-cultura-y-ministerio-en-tiempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ubla.online\/pt\/iglesia-cultura-y-ministerio-en-tiempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"IGREJA, CULTURA E MINIST\u00c9RIO EM TEMPOS DE PANDEMIA"},"content":{"rendered":"<p>Certas din\u00e2micas da cultura t\u00eam modificado nossa no\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o \"ser-estar\". Anteriormente, era necess\u00e1rio estar presente (em corpo) para \"existir\", ser considerado ou concretizar certas opera\u00e7\u00f5es. Agora n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio estar em corpo para comprar, pagar, fazer e comparecer a todas as consultas m\u00e9dicas ou de trabalho. \u00c9 sabido que a educa\u00e7\u00e3o passou por mudan\u00e7as com o surgimento da virtualidade. Fam\u00edlias separadas por v\u00e1rias raz\u00f5es tiveram que cultivar seus la\u00e7os afetivos, manter a comunica\u00e7\u00e3o, ficar atualizadas sobre o estado dos membros, celebrar anivers\u00e1rios e muito mais atrav\u00e9s das redes sociais. Isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Isso \u00e9 um fato, a percep\u00e7\u00e3o do ser e do estar mudou. E n\u00e3o estou dizendo se isso \u00e9 bom ou ruim, estou simplesmente referindo-me a uma realidade com a qual n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados e com a qual teremos que lidar na teoria e na pr\u00e1tica. Por exemplo, como a situa\u00e7\u00e3o gerada por esta pandemia afeta nossas no\u00e7\u00f5es de ser e fazer como igrejas e minist\u00e9rios crist\u00e3os? \u00c9 hora de descartar, assimilar ou propor?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos n\u00f3s constatamos essa nova maneira de nos percebermos como sujeitos na sociedade. E n\u00e3o apenas isso, tamb\u00e9m participamos, de alguma forma, disso: seja na maneira como lidamos com as comunica\u00e7\u00f5es, realizamos transa\u00e7\u00f5es, conduzimos nossos estudos, trabalho, lazer e assim por diante. Como em qualquer momento da hist\u00f3ria, isso nos apresenta desafios e oportunidades. Nossa tend\u00eancia como crist\u00e3os, parece-me, tem sido a \"rea\u00e7\u00e3o\", n\u00e3o a resposta cr\u00edtica, reflexiva, s\u00e1bia, sens\u00edvel e, muito menos, propositiva. Tendemos a olhar apenas para os desafios, o que nos coloca em uma atitude defensiva ou nos faz sentir amea\u00e7ados. Os alarmes dos \"ataques\" s\u00e3o acionados a ponto de neutralizarmos as antenas das \"oportunidades\".<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer cultura, em qualquer \u00e9poca, sempre houve \"desafios\" e \"oportunidades\" para a vida em geral e para a nossa f\u00e9 em particular. De fato, v\u00e1rios dos chamados momentos de avivamento foram marcados, pelo menos, por esses aspectos: vitalidade interna das comunidades de f\u00e9 e um bom uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ou novos recursos culturais. Pense, por exemplo, nos materiais e t\u00e9cnicas de escrita usados pelos autores inspirados, no uso das estradas romanas pelos primeiros crist\u00e3os, no uso de argumentos filos\u00f3ficos pelos apologistas, ou no uso da impress\u00e3o pelos reformadores, entre outros. At\u00e9 hoje, os crist\u00e3os t\u00eam usado elementos da cultura: conceitos de filosofia educacional para nossos minist\u00e9rios educacionais (perfis de alunos, objetivos de aprendizagem, indicadores de aprendizagem e similares. Eles n\u00e3o surgiram do nada!), princ\u00edpios de gest\u00e3o, lideran\u00e7a e administra\u00e7\u00e3o de igrejas e minist\u00e9rios crist\u00e3os (n\u00e3o foram revelados); e, mais especificamente, o uso das redes sociais para uma infinidade de prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos honestos ent\u00e3o, n\u00f3s nos relacionamos com a cultura desde sempre, e teremos que continuar fazendo isso, e de v\u00e1rias maneiras, n\u00e3o h\u00e1 op\u00e7\u00e3o! No entanto, ao faz\u00ea-lo, precisamos ter crit\u00e9rio, discernimento e inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Andy Crouch, em seu livro \"Culture Making\", sugere cinco maneiras de nos relacionarmos com a cultura. Costumo definir cultura assim: qualquer processo ou produto, material ou imaterial, gerado pelos seres humanos em rela\u00e7\u00e3o aos seus semelhantes e ao seu ambiente para alcan\u00e7ar objetivos individuais e coletivos, consensuais ou n\u00e3o. Crouch mostra que a igreja e os minist\u00e9rios crist\u00e3os, para o bem ou para o mal, podem optar por: (1) condenar a cultura, (2) criticar a cultura, (3) consumir cultura, (4) copiar cultura e (5) criar cultura. Para lembrar, mastigar e processar melhor, sugiro que voc\u00ea pense em \"5C\": condenar, criticar, consumir, copiar e criar.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, \"condenar\" \u00e9 denunciar o que \u00e9 abertamente ruim, aquilo que atenta contra a vida e desonra seu Doador; aqui \u00e9 necess\u00e1rio coragem e sabedoria, a dos fi\u00e9is profetas e m\u00e1rtires. Segundo, \"criticar\" aproxima-se mais do di\u00e1logo para formular perguntas, questionar, investigar, indagar ou mostrar outras maneiras de ver e fazer as coisas na sociedade; espera-se que seja feito de maneira humilde e informada, e n\u00e3o apenas a partir de preconceitos. Terceiro, \"consumir\" cultura \u00e9 \u00f3bvio, desde roupas at\u00e9 comida, ideias e tecnologias; aqui \u00e9 urgente termos consci\u00eancia dos h\u00e1bitos de consumo que prevalecem para n\u00e3o nos tornarmos parte daqueles que prejudicam os outros, o meio ambiente e desonram a Deus. Em quarto lugar, temos \"copiar\" a cultura, tanto nos tempos b\u00edblicos como nos nossos. Pense nisso. Tomamos utens\u00edlios e categorias para aproveitar suas qualidades em processos de nosso interesse (evangelizar, discipular, pastorear, servir, influenciar, entre outros); adotamos do ambiente maneiras que n\u00e3o foram originalmente gestadas em nossas pedreiras, mas que, por n\u00e3o contradizerem nossos valores, contribuem para o cumprimento de nossos prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de relacionamento mais desafiador \u00e9 o de \"criar\" ou gerar cultura, ou seja, propor (n\u00e3o impor). Esse relacionamento \u00e9 tipicamente proativo e diaconal (busca servir a Deus e \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, sem distin\u00e7\u00f5es). Nossa proposta hoje n\u00e3o deve ser apenas proselitista ou interessada. Deveria, antes de tudo, promover a vida (em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es) e a gl\u00f3ria de Deus. A gera\u00e7\u00e3o de cultura deve ser feita a partir dos valores do Reino de Deus (para isso \u00e9 necess\u00e1rio refletir, estudar, orar, dialogar e trabalhar muito) e vai al\u00e9m de simplesmente reagir ao que \u00e9 ruim, ousa trazer \u00e0 tona, abrir portas, construir pontes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, a Reforma Protestante, com as falhas inerentes \u00e0 natureza humana de seus protagonistas, foi um marco disruptivo na hist\u00f3ria universal, n\u00e3o apenas na hist\u00f3ria crist\u00e3; gerou mudan\u00e7as estruturais em todos os aspectos, n\u00e3o apenas no religioso (embora esse fosse seu dom\u00ednio privilegiado). Ap\u00f3s a Reforma, gra\u00e7as ao seu retorno \u00e0 B\u00edblia, ao Evangelho da gra\u00e7a de Deus em Cristo e a Jesus do Evangelho, muitas coisas n\u00e3o foram mais as mesmas, com consequ\u00eancias que perduram at\u00e9 os dias de hoje: a vis\u00e3o do ser humano e sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, o acesso \u00e0 B\u00edblia, as no\u00e7\u00f5es de liberdade, beleza, trabalho, educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, as igrejas e minist\u00e9rios crist\u00e3os novamente precisam rever a maneira de expressar sua comunh\u00e3o com Deus, com os crentes e n\u00e3o crentes, com a natureza, com a hist\u00f3ria e seu desenrolar. A partir de um evento in\u00e9dito de como\u00e7\u00e3o: a pandemia, as medidas de distanciamento f\u00edsico ou social e o questionamento de v\u00e1rias maneiras de ver e fazer as coisas, todos somos chamados \u00e0 autocr\u00edtica. A identidade, a miss\u00e3o e o destino da igreja est\u00e3o em Cristo, n\u00e3o dependem de nenhum evento cultural; mas a maneira de interpret\u00e1-los e express\u00e1-los precisa mudar. Ou n\u00e3o? Em que sim e em que n\u00e3o? Volto \u00e0s perguntas do in\u00edcio, sem renunciar aos nossos fundamentos, o que devemos rejeitar, assimilar, reformular ou propor?<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas formuladas s\u00e3o honestas, inevit\u00e1veis e at\u00e9 necess\u00e1rias. N\u00e3o podemos enfrent\u00e1-las com medo, preconceito, reducionismo ou simplicidade. S\u00e3o quest\u00f5es complexas, assim como complexos s\u00e3o os tempos em que vivemos. Faz parte da nossa responsabilidade, portanto, acompanhar nosso povo para que tenham uma vis\u00e3o teol\u00f3gica (vinda de Deus) do que est\u00e1 acontecendo; para que n\u00e3o se concentrem em especula\u00e7\u00f5es e campanhas de terror, mas na presen\u00e7a de Deus conosco atravessando esse \"vale de sombras e de morte\"; para renovar nossa confian\u00e7a em suas promessas (todas elas, especialmente aquelas de sua vinda para estabelecer \"novos c\u00e9us e nova terra\"); para que se concentrem na humildade, na fidelidade ao Senhor e na vigil\u00e2ncia crist\u00e3; no an\u00fancio do evangelho, na ora\u00e7\u00e3o e em respostas compassivas a todos, entre outras atitudes e disciplinas crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais f\u00e1cil \u00e9 apenas criticar, mas tamb\u00e9m pode ser o mais elementar ou irrespons\u00e1vel. Em seguida, a tend\u00eancia \u00e9 ficarmos paralisados, esperando para \"ver o que acontece\". E, sim, h\u00e1 momentos em que precisamos ficar quietos e em sil\u00eancio. Mas h\u00e1 outros momentos que exigem reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel. Este n\u00e3o \u00e9 um desses momentos? Desenvolver uma atitude, um pensamento e uma conduta crist\u00e3 respons\u00e1veis exige mais do que apenas criticar e esperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste tempo, o que voc\u00ea sente, pensa, decide fazer ou n\u00e3o, fa\u00e7a-o para o Senhor. Proceda com humildade. Baseie sua resposta a este momento da hist\u00f3ria em Cristo (sua pessoa, ensinamentos e obras). O que voc\u00ea far\u00e1 e o que voc\u00ea deixar\u00e1 de fazer? Que Deus nos ajude, como comunidade crist\u00e3, a discernir com sabedoria, a agir com amor e a ser uma luz em meio \u00e0 escurid\u00e3o deste mundo, fazendo diferen\u00e7a onde quer que estejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Richard Serrano<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certas din\u00e2micas da cultura modificaram nossa no\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o \"ser-estar\". 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